domingo, 4 de setembro de 2011

Seleção Brasileira: Não cabe na balança


Não sou o único torcedor, frente às estripulias da senhora CBF, que se prende ao passado glorioso do futebol nacional para tentar respirar nesse sufocado futebol moderno.

Dentre essas lembranças que remetem ao passado, lembrei-me da vez em que visitei a residência do grande Djalma Santos, lateral-direito bicampeão mundial pela seleção brazuca e, eleito pela Fifa, o maior da posição de todos os tempos.

Ouvi atentamente relatos dos tempos difíceis em São Paulo, da lesão na mão de Djalma que no futuro viraria arma na cobrança de laterais somada à força do atleta, histórias da Copa de 1958 na Suécia, de onde recebe inúmeras correspondências mesmo 53 anos depois de desfilar nos gramados de lá com o escrete canarinho. A réplica da Copa do Mundo recebida em durante a Copa de 2006 na premiação do melhor de todos os tempos também estava lá, merecidamente na estante de Djalma.

Atento como um aluno exemplar, ouvia as respostas do professor Djalma sobre cada troféu em sua estante, cada pôster da Associação Portuguesa de Desportos e do Palmeiras, carinhosa e merecidamente chamado de Academia de Futebol na era em que Djalma Santos atuava na equipe composta ainda por Ademir da Guia, Djalma Dias e Emerson Leão.

Contudo, de todos as relíquias faltava uma: a camisa azul da final da Copa do Mundo de 58, na Suécia contra a seleção anfitriã. Não era mero fanatismo de torcedor colecionador. Era para sentir o peso da história do esporte bretão que conquistou seus primeiros quilinhos com a farda azul.

Perdido o direito de disputar a final com a camisa canarinho (A Suécia também usava farda amarela), a camiseta azul comprada no comércio sueco foi a escolhida para vestir os craques brasileiros na final. Apresentada depois de uma madrugada inteira recortando e bordando números em amarelo e costurando o símbolo da CBD foi alvo de preconceito.

Como disputar uma final com a camisa azul, sendo que em todos os outros jogos saíram vitoriosos com a farda amarela? Usando do apelo católico foi a comparação com o manto de Nossa Senhora que fez com que os jogadores entrassem em campo, sendo que o resultado, nem preciso relembrar.

Minutos depois, apareceria Djalma com ela em mãos. O peso natural, não representa nem de longe o que ela significa para o futebol tupiniquim. Lembro-me bem do número 4 bordado em amarelo com linhas brancas e grossas. O símbolo da CBD, irretocável, também bordado com as improvisadas linhas brancas.

A sensação, infelizmente, impossível descrever. Não é só o primeiro título mundial do Brasil, mas a representação de uma época em que jogar futebol era mais do que dígitos bancários e aparições em publicidade. É mais do que se dizer dono de tudo e de todos ou mandar e desmandar naquilo que é público. É muito mais que uma camisa azul com bordado improvisado. Pena que essa não veio para minha coleção.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Seleção Brasileira: A Camisa é minha


Senti-me surrupiado quando me deparei com a capa do caderno de Esportes da Folha de S. Paulo do dia 7 de agosto de 2011. Quando vi a nossa camisa amarela, o estandarte do futebol refinado, ser minimizada como propriedade da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pensei no quanto o responsável pela ideia da camisa amarelinha revirou no caixão. Acho que nem ele pensou ser dono da indumentária de futebol mais famosa do globo.

Mineiro que sou, ébrio pelo orgulho de ter nascido e criado no interior, peço licença para contar um causo, nobre torcedor. Não vou me estender em relembrar que em 1950, o recém-nascido Maracanã foi o palco de um dos atos mais trágicos da história do futebol brasileiro, quiçá, mundial.

Ver a favorita escrete nacional se render ao futebol uruguaio em plena terra brasilis é uma tragédia que nem os gregos no auge da inspiração poderiam imaginar. Pois bem, depois do Maracanazzo (não existe uma tragédia que transcende épocas, eras e temporadas sem um bom nome), passou-se a considerar que o uniforme, além de não representar o Brasil, estava trazendo azar.

Supersticioso que só, o brasileiro sugeriu a mudança, inclusive, no uniforme. Qual seria o substituto das camisas e calções brancos de nossa roupagem? Diante de tal questionamento, Confederação Brasileira de Desportos (CBD) e o jornal O Correio da Manhã sugeriram que torcedores mandassem sugestões das cores para o uniforme nacional.

O vencedor foi Aldyer Schlee gaúcho (mas torcedor do Uruguai) que exaltou o amarelo já que a exigência do concurso era o uso das cores da bandeira em nossa nova farda: Amarelo na camisa com detalhes verdes, calções azuis e meias brancas. Como prêmio, dinheiro, dias e viagens juntamente com a seleção canarinho. Detalhes a mais e importantes são aquelas estrelinhas que resumem a apoteose que veio depois que a amarelinha passou a desfilar pelos gramados.

Eis que leio na Folha que a CBF (CBD, Confederação Brasileira de Desportos na época em que a camisa nasceu) se tornou dona da amarelinha. Processo na Coca-cola e em quem mais se atrever a fazer alusão à camisa da CBF em propagandas que remetem à Copa de 2014 ou na arte do nosso futebol.

Até mesmo a empresa japonesa responsável pelo “Pró Evolution Soccer”, a Konami, colocou a seleção brasileira com uniformes verde e branco no novo jogo, temerosa à fúria incontrolável da toda poderosa dona do futebol no Brasil. Isso por que a justiça carioca condenou a Coca-cola a indenizar a CBF por usar em uma propaganda ex-jogadores da seleção com uma camisa amarela.

Cada dia que passa a Confederação do Dr. Ricardo é protagonista de causos que deterioram a paixão do brasileiro pelo futebol. A camisa amarela representa um povo que tem no sangue a arte de praticar o esporte. Do povo que se afogava nas ondas do rádio que, em 1958, propagou o primeiro passo da vitoriosa caminhada do futebol nacional.

É do povo haitiano que sofre até mesmo com a natureza e que em um dia viu a paz se instalar. A paz levada pelos jogadores brasileiros que usaram o poder do manto canarinho para ser o pelotão de frente no bombardeio de alegria, sorrisos e tranquilidade, mesmo que por um dia. A camisa é minha, é sua, é de quem vibra, torce, mesmo que cante o hino com mão no peito, numa falsa sensação de nacionalismo. Pelo menos, essa mão no peito esconde a vergonha de ter em uma camisa tão vitoriosa com um brasão que insiste em se tornar inglório. Que brilhem apenas nossas estrelas no peito. Afinal, somos respeitados por conta delas.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Seleção Brasileira: O peso da amarelinha


Durante toda semana surgiram explicações, teorias, conspirações e fórmulas matemáticas para tentar explicar o motivo das cobranças de pênalti espaciais da seleção brasileira nas quartas-de-final da Copa América contra o Paraguai. Confesso que já vi as imagens dos lançamentos ao espaço e, até agora não vi, nada diferente da incompetência.

Os próprios jogadores da escrete canarinho se contradizem. Enquanto alguns deles teimam em colocar a culpa no judiado gramado – gramado?! – do estádio Ciudad La Plata, o zagueiro Thiago Silva assumiu que bateu mal a penalidade. O arqueiro Júlio Cesar, inspirado no remake de O Astro disse no início da preparação para a competição: “Se formos para os pênaltis nessa Copa América, nós estamos...” (As reticências você troca pelo que quiser).

Não precisa ser o protagonista da regravação ou ter bola de cristal para saber que a tragédia já estava anunciada. Bastava ver um treinamento da seleção nos primeiros dias de preparação na Argentina para saber que aquele equipamento de couro nos pés dos brasileiros seria, assim que houvesse disputa por penais, transformado em um Objeto Voador não Identificado. E foi o que o goleiro percebeu.

Acho cedo para crucificar alguém pelo desastre que aconteceu nessa Copa América. Mas o sinal de alerta está ligado para o técnico Mano Menezes. Um ano no comando do Brasil e nenhuma vitória sobre seleções tradicionais. Pior que isso, é perceber que a renovação proposta pela CBF e cobrada por torcedores e mídia não tem apresentado evolução tática – palavra da moda entre corneteiros e especialistas.

A receita? Difícil falar. Fácil é perceber que a cada dia a camisa amarela tem representado mais pompa do que futebol. Mais fama do que o velho clichê do “coração na ponta da chuteira”. É importante que nossos representantes nos gramados olhem para trás e respeite aqueles que contribuíram para que o futebol brasileiro ostente hoje as cinco estrelas que estão bordadas no peito. Quem sabe dessa forma, muitos deles vão poder entender o motivo da amarelinha pesar tanto.

Em tempo: Paraguai e Uruguai fazem a final da Copa América. Porem, parabéns à Venezuela que meteu duas bolas na trave paraguaia por duas vezes, pressionou e acertou quatro pênaltis. Interessante a evolução venezuelana. Lamentável a pancadaria no final. E pênalti é competência. Que diga o Paraguai.

sábado, 9 de julho de 2011

Copa América: Brasil empata com Paraguai. E o futebol, cadê?

E a odisseia de Mano Meneses no comando da seleção brasileira continua. Mais um jogo marcado pela ineficiência e displicência dos jogadores em quem, os sempre confiantes torcedores da seleção canarinho despejaram tanta esperança. Mais dois gols para contabilizar os míseros cinco tentos em 2011.

A dupla de zaga que tinha tudo para ser intransponível com Lucio e Thiago Silva estava perdida. Mais para o Monstro de Milão – que falhou no primeiro gol paraguaio – e menos para o capitão da escrete nacional. E depois da bateção de cabeça da zaga não tem como julgar o goleiro Júlio Cesar.

Os laterais da seleção de Mano representam bem a ineficiência da seleção brasileira. Mesmo com um meio campo congestionado pelos paraguaios que fixavam duas linhas de quatro quando o Brasil estava com a bola, eles não se apresentavam como opção para furar o bloqueio. Quando apareciam, eram pífios. Daniel Alves, para celebrar o mau futebol entregou o segundo gol.

No meio, Ramires e Lucas Neiva tinham alguns lampejos. E mesmo depois da insistência do ex-jogador do Cruzeiro que culminou no primeiro tento brasileiro, os dois volantes revezavam em fazer bobagem.

Mesmo com o gol, Jadson não pode ser titular. Lucas ou Elano, que pouco fez quando entrou, mas estava no ritmo do samba desafinado da seleção. Ganso é diferente. Não o isentando de culpa, mas foi o dono dos passes para os gols do Brasil. Falta acostumar um pouco mais com a camisa 10 amarelinha para ser o maestro do grupo. Poucos toques na bola e eficiência. Esse é o caminho.

Contudo, a grande estrela, a maior esperança em quem todos depositavam esperança parece que ainda vai demorar a ficar pronto. Fominha, inventando demais, Neymar continua sendo muito aquém ao menino do Santos que desequilibrou na Libertadores. Claro que depois das atuações na competição continental, do marketing sobre o camisa onze e do assédio de um dos maiores clubes do mundo, o que faltam são brucutus na cola dele. Mas errar na cara do gol e inventar moda em momento decisivo... não, não, obrigado!

Alexandre Pato me surpreendeu na primeira partida. Na partida de hoje, o rendimento caiu. Porém, pode ser um jogador importante durante a competição. Fred, mesmo contestado, fez o gol que salvou o Brasil, então, sem falar mal dele hoje.

Contra o Equador, só a vitória interessa diria um poeta dos gramados. E não é só para garantir vaga na próxima fase. É para garantir que os brasileiros não passem a olhar a seleção de Mano – e o próprio comandante – com desconfiança.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

CBF: “Em 2014, posso fazer a maldade que for”

É difícil para o torcedor ou para o simples admirador do futebol ter que se embriagar ao perceber que a principal estrela do esporte betrão tem sido o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Para quem está acostumado a ver o espetáculo dentro das quatro linhas, assistir de camarote uma cena bem no estilo Dante é para, realmente, pendurar as chuteiras.

Prometer suas malvadezas em entrevista à revista "Piauí", digno de matéria na Folha de S.Paulo de hoje, é ter a certeza de que a frase de um colega de imprensa faz todo sentido: futebol está acabando! A frase do título, mais as promessas de não dar credencial, proibir acesso, mudar horário de jogo e taxar a imprensa de “vagabunda” são uma das “malvadezas” do Dr. Ricardo.

No entanto, quando me apaixonei e inevitavelmente passei a amar o futebol ouvia as histórias do meu falecido pai se gabando de ter visto o que ele jurava ser o maior trio de ataque da história: Coutinho, Pelé e Pepe.

Me hipnotizava com os relatos apaixonados sobre aquele dia 21 de dezembro de 1976 em viu Sepp Maier, Beckenbauer e Müller digladiar com a respeitável escrete azul celeste de Jairzinho, Dirceu Lopes, Piazza entre outros que sucumbiram à experiência dos alemães, então, base da seleção campeã mundial da época.

Recentemente com Romário voando na Copa de 94, Ronaldo se superando em 2002, um Barcelona baseado na filosofia eternizada pela Laranja Mecânica de Cruyff em 1974. Qual é a balela, acreditar que o futebol ainda pode ser apaixonante ou abaixar a cabeça para o dono do futebol brasileiro?

Não sou apaixonado a ponto de ser cético às novas tendências mercadológicas assumidas pelo futebol. Mas torcedor é sempre torcedor. É difícil para eles, de uma hora para a outra, assumir a identidade de consumidor.

Porém, vai ser na base do “goela abaixo” que nosso presidente da CBF vai nos convencer de que futebol é consumo. E assim como o “Big Brother” de George Orwell na obra 1984 vai impor suas vontades, pelo menos, até 2014.

Só espero que, no momento da compra dos ingressos da Copa do Mundo, meu nome não seja rejeitado por não concordar com o mandatário. Isso se, até lá, eu ainda tenha alguma paixão por esse futebol. Porque amor quando não é correspondido costuma acabar.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Ronaldo: Eu vi um Fenômeno!

Ainda muito menino eu pude ver o surgimento do “menino Ronaldo” como esbravejava o saudoso narrador Fernando Sasso. Logo de cara, com 16 anos, já aparecia como o destaque da equipe celeste. Artilheiro do Campeonato Mineiro com 22 gols e com 44 gols em 46 partidas, logo se transferiu para Europa por 6 milhões de dólares.

O PSV Eidhoven foi só o começo da história do jogador mais brilhante que pude ver atuar dentro e fora das quatro linhas. No gramado é um dos poucos que conseguiu reverências dos torcedores do Real Madrid e Barcelona e tem o respeito de Inter de Milão e Milan.

Fora de campo, foi uma das estrelas que fez o Haiti viver momentos de trégua durante guerra civil que acontecia no país vestindo a camisa da seleção brasileira. Camisa que, aliás, parecia ser a segunda pele do camisa 9.

Campeão mundial duas vezes, uma delas como o astro da seleção canarinho em uma época em que todos colocavam Ronaldo na lista dos aposentados. Mas, no fim, garantiu o último título da seleção em copas. Em 2006, em uma seleção que fracassou depois de ser considerada favorito, El Fenômeno (apelido que ganhou na época de Barcelona) foi o único que saiu vitoriso com o título de maior artilheiro da história das Copas.

Dentro glórias e polêmicas, ficaria três dias falando de Ronaldo Luiz Nazário de Lima, o “menino Ronaldo” que em pouco tempo se tornou o Fenômeno. Infeliz do goleiro Tatarusanu, que teve duas chances de entrar para história como o último goleiro a tomar um gol de Ronaldo (Como fez Diamantino Tomé Figueiredo que tomou o primeiro de centenas).

Mas há pouco vi um dos jogadores que deixaram o maior legado para o futebol brasileiro. PInturas por Barcelona, Real, Inter de Milão Cruzeiro e Seleção Brasileira contribuiram para um rico aprendizado na escola do futebol. Somado à simplicidade de alguém que veio do nada, formam esse que sempre vai ser um atleta genial. Aliás, fenômenos são raros. E vou poder para filhos e netos que vi um dos maiores da história.

domingo, 5 de junho de 2011

Campeonato Brasileiro: O que acontece com o Cruzeiro?

O Cruzeiro foi apontado – e continua sendo – como um dos favoritos ao título do Campeonato Brasileiro 2011. Não só pela manutenção dos pilares da equipe vice-campeã brasileira do ano passado, mas também pelas apresentações de gala na primeira fase da Libertadores e no Campeonato Mineiro.

Toques envolventes, a criança sempre no chão, valorização de posse de bola, defesa aparentemente intransponível e ataque eficiente era uma das características de um time que fez a torcida ressuscitar o apelido La Bestia Negra, que a equipe celeste ganhou na década de 90 e ser apontado como o franco favorito na competição sul-americana.

Mas uma partida de apatia contra o Once Caldas fez uma campanha brilhante naufragar. E pelo que eu pude perceber, nem o título mineiro de 2011 fez o Cruzeiro se reerguer. A mesma apatia, falta de precisão nos passes, bolas altas em excesso e sem direção se destacaram na partida em que o time mineiro foi derrotado pelo Fluminense, na terceira rodada do Campeonato Brasileiro.

Poderia ser considerado um lampejo se não fosse a terceira partida em que o time sensação das Américas até poucos dias apresentasse um futebol de deixar o torcedor preocupado.

Mas o que acontece com o Cruzeiro? É uma pergunta muito difícil de responder. O que a gente espera é que apenas o torcedor entre na pilha do técnico do Peñarol, Diego Aguirre, que cometeu a heresia de comparar aquilo que o Barcelona faz com qualquer futebol de outra equipe no planeta.


sexta-feira, 3 de junho de 2011

Libertadores: A tradição entre Santos e Peñarol

A palavra tradição resume bem a final da Libertadores 2011 que comprova, mais uma vez que a competição continental não aceita qualquer um. Peñarol e Santos vão fazer uma final que recorda o auge das duas equipes na década de 1960. Da final protagonizada pelos dois, lembranças positivas para o Santos que dispensa apresentações e podendo, inclusive, parecer clichê quando pegamos o cartão de visitas (Pelé, Pepe, Mengálvio, Coutinho…).

Vale a pena lembrar o folclore dos três jogos finais entre Santos e Peñarol, sendo que o primeiro, no tradicional Estádio Centenário em Montevidéu, Coutinho se encarregou de marcar os dois tentos da vitória do Peixe por 2 a 1. Mas o jogo na (não menos tradicional) Vila Belmiro um equívoco do árbitro Carlos Robles, que escreveu na súmula que terminou a partida quando esta ainda estava em 3 a 2 para os uruguaios forçou o terceiro jogo.

Na verdade, o terceiro gol do Peñarol causou a revolta dos santistas na Vila e, mesmo sem condições de jogo (santistas reclamando de um pênalti em Coutinho e que os atacantes uruguaios teria jogado areia nos olhos de Gilmar no gol de empate, juiz alegando ter tomado uma garrafada e uma hora e meia de jogo parado), o chileno decidiu continuar a partida até os 90 minutos. Nesse tempo, Pagão fez o terceiro gol do Peixe que valeria o título. Final dos 90 minutos, torcida comemorando, volta olímpica, todos os ingredientes para comemoração.

Porém, dias depois foi divulgado que o jogo durou apenas 51 minutos e o Peñarol saiu como vitorioso. Terceira partida, Monumental de Nuñez e Buenos Aires. Tão Monumental quando o palco da finalíssima foi o futebol do Santos que sob o comando do tal de Pelé passeou sobre os uruguaios e garantiu o primeiro título da Libertadores (Méritos também ao meia uruguaio Caetano que abriu o caminho santista com um gol contra).

Mas voltando ao novo capítulo de Peñarol e Santos, podemos esperar um grande jogo na final. As semifinais emocionantes foram apenas aperitivo do que será esse clássico. Afinal, são sete títulos (cinco do Peñarol e dois santistas) em 12 finais (quatro vices da equipe uruguaia e uma do peixe). Tem como duvidar de que será uma grande final?

domingo, 29 de maio de 2011

Esportes: Dia do Inacreditável

Hoje é o dia internacional do inacreditável no esporte. Só não foi mais inusitado pelo fato do circo – sem graça – da Fórmula 1, Sebastian Vettel insiste em vencer, que em Mônaco, segurou a pressão de dois pilotos campeões mundiais – Alonso e Button. Voltando ao inacreditável, vamos a um nome que remete imediatemente a essa palavra: Anselmo Ramon. Tudo bem que ele fez o gol do empate em 1 a 1 do Cruzeiro com o Palmeiras. Mas o gol que ele errou é digno de entrar para história do maiores de todos os tempos. Caso não tenha visto, clique aqui. O gol perdido além de inacreditável, é inexplicável. Porém, fez o gol de empate e salvou o grupo da segunda derrota no Campeonato Brasileiro 2011. Agora, definir o que aconteceu com J.R. Hildebrand é mais do que simplesmente inacreditável. É fato que o calouro da Indy vem impressionando e nada melhor que uma vitória na 100ª prova na mais tradicional prova da Fórmula Indy, a 500 milhas de Indianápolis para ratificar a estréia de gala. Mas faltava apenas uma curva para ele se deleitar com o leite mais famoso do mundo e aconteceu aquilo que podemos chamar de falta de sorte, incrível… ou inacreditável mesmo! Justamente na última curvo, um muro surgiu em sua frente e Dan Wheldon agradeceu e comemorou. Veja:

Pois é, meus caros. Equipes como o Barcelona campeão da UEFA Chapions League no sábado e fatos inusitados como esse, a gente não ve todos os dias. Por isso eu digo: Feliz dia do inacreditável.

domingo, 24 de abril de 2011

Futebol: Comercial e o bom exemplo para o renascimento do Nacional

 

Na época em que morei em Ribeirão Preto acompanhei de perto a rotina do Comercial, recém chegado à série A1 do Campeonato Paulista depois de 25 anos fora da elite do certame do Estado. Eram nítidas – e muitas – as dificuldades que eram superadas com trabalho.

Cheguei a sentir em uma das minhas idas ao estádio Palma Travassos, o cheiro de queimado por conta de “torcedores” do Leão do Norte que colocaram fogo na loja que fica próxima à entrada principal da Joia de Concreto.

Acompanhava o trabalho do presidente Rangel Scandiuzzi desde 2009, ano em que o atual gestor, Nelson Lacerda propôs a parceria com o time de Ribeirão Preto. Ambicioso, em entrevistas às rádios Globo, CBN e 79, Lacerda prometia o Comercial na Serie A1 do Paulista no centenário.

Por mais que a vaga na A2 tenha sido “comprada”, com a vitória do Guarani sobre o Rio Preto por 4 a 2 o clube garantiu a disputa da elite do Paulistão no ano que vem. O que se via no time do Comercial, até então, eram jogadores pulando do barco mesmo depois de pré-contratos assinados, boatos sobre a venda do patrimônio do clube e dificuldade, até mesmo, para disputar a Copa Paulista, competição nos mesmo moldes da Taça Minas Gerais.

Tal situação me faz lembrar bastante a situação do Nacional, em Uberaba, que apesar da tradição em competições do Estado tenta se reerguer. Muitas foram as tentativas, mas nesse ano, com uma diretoria sólida, o Naça dá sinais de que surgirá das profundezas. No entanto, autoridades privadas ou públicas, é necessário apoio.

Mas não moral, financeiro. Tal ressurgimento do Bafo de Ribeirão Preto só foi possivel com alicerce monetário muito bem cimentado. Salários em dia, bichos, promoções para torcedores. Daí aparecem boas campanhas, torcida em campo e comprando camisas. Dinheiro no caixa, credibilidade, patrocínio. Por fim, elite Paulista de novo.

A receita é simples, mas não é fácil de executar. Até por isso, parabéns ao Comercial e a todos os comercialinos. Esses, que uma hora dessas, nem querem saber de receita. Só comemorar.

domingo, 27 de março de 2011

100º Gol: Goleiro artilheiro faz cem gols e desabafa

 

Didático. Quem já pisou em um gramado deve se lembrar do “professor” explicando uma cobrança de falta. Falta do lado esquerdo do ataque, na entrada da área. O tapa tem que garantir a curva da bola, saindo do goleiro e passando por cima do terceiro homem da barreira de fora para dentro da área. Se acertar no ângulo, é só sair para o abraço. E foi assim.

Do jeito que começou em 15 de fevereiro de 1997 na partida contra o União São João no estádio Hermínio Omertto, Araras, o goleiro Rogério Ceni comemorou seu 100º gol na carreira. De falta, do jeito que ele queria. Mais do que isso. Além de o gol confirmar Rogério Ceni no hall dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro, o tento aos 8 minutos do segundo tempo garantiu a vitória do São Paulo contra o Corinthians por 2 a 1.

E tem mais: o resultado quebrou o tabu do tricolor que não ganhava da equipe de Parque São Jorge há 4 anos ou 11 jogos (7 vitórias do Timão e 4 empates). Mas, convenhamos, não são só esses argumentos que abrilhantam a vitória do São Paulo no clássico Majestoso. Mesmo com dois a menos, a equipe de Tite lutou até aos 51 minutos (!) da segunda etapa na tentativa do gol de empate, no entanto, foi em vão. Voltando ao 100º gol do goleiro tricolor, como sempre, surgiram perguntas sobre manifestações, como aquela que foi feita por Pelé em seu milésimo gol no Maracanã.

Aproveitando o fato de estar no foco das atenções, o goleiro artilheiro desabafou ao repórter da recém-nascida rádio Estadão ESPN sobre a questão que vem causando o confronto entre Rede Globo e São Paulo desencadeado após o racha do clube dos 13 e as equipes proclamando independência em relação à negociação dos dividendos dos direitos de transmissão. Rogério dedicou o gol aos “caras” que trazem benefícios para o futebol brasileiro, que dividem os benefícios e lutam pelo melhor para o futebol. Em seguida disparou: “Será que não pode lutar por seus direitos de maneira justa? Será que alguém manda no Brasil mais que o presidente da república, é o dono futebol brasileiro?”.

Para o Campeonato Brasileiro desse ano, como informou a Folha de São Paulo da semana passada, a Globo diminuiu o número de transmissões das partidas do tricolor na TV aberta. No primeiro turno, serão apenas cinco jogos transmitidos. O Corinthians, o rival de hoje, por exemplo, terá 14 jogos transmitidos. Uma das consequências da diminuição da exposição do São Paulo é a dificuldade do clube em fechar contratos de patrocínio.

Mas voltando ao que realmente importa, que é a bola rolando, o que de fato fez você, nobre torcedor, a se apaixonar pelo futebol, vivemos um momento raro. Vimos o centésimo gol e de um goleiro. Com a plástica dos gols de grandes craques. Em uma partida com ingredientes de jogos épicos.

Não é só o torcedor são paulino deve comemorar esse 100º gol do vitorioso Rogério Ceni. Se você admira o bom futebol e ainda crê que ele seja o carro chefe de um contexto de mesquinharias também pode comemorar.

sábado, 26 de março de 2011

Voltando aos poucos

 

Por enquanto, apenas fazendo alguns testes por aqui. Mas em breve estarei de volta com mais postagens. Fui!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Corinthians: Timão centenário!

Eternamente dentro dos nossos corações. Eternidade que completa hoje seus primeiros 100 anos de uma paixão que nem o mais fanático, maloqueiro, sofredor, ou seja lá qual for a alcunha do fiel torcedor corintiano consegue explicar. Aliás, esse não é um torcedor qualquer. É o torcedor que vai até de joelhos assitir a uma partida do Timão. Como o inesquecível dia 5 de dezembro de 1976 que das quase 147 mil pessoas presentes no Maracanã, cerca de 70 mil eram corintianos que assistiram o goleiro Tobias pegar duas cobranças de pênalti e ver o Timão chegar a uma final de Campeonato Brasileiro após despachar o Fluminense.

No ano seguinte, com Palhinha, ex-Cruzeiro, sendo um dos ídolos da "Fiel", o Corinthians viveria uma de suas noites mais inesquecíveis. Pode perguntar para qualquer corintiano, tenha ele visto ou não a final, o que aconteceu no dia 13 de outubro e ele vai te responder com orgulho: "a conquista do Campeonato Paulista, um dos títulos mais importantes da história corintiana, meu, é timão!". Era o fim de quase 23 anos sem ganhar competições oficiais. Na última de três partidas, contra a Ponte Preta, o título veio com o gol de Basílio, no segundo tempo.

Em 1978, a diretoria do clube contratou Sócrates, que veio do Botafogo de Ribeirão Preto e Biro-Biro dois dos maiores ídolos da equipe do Parque São Jorge e líderes, juntamente com Wladimir, Casagrande e Zenon, do considerado maior movimento ideológico do futebol nacional: a Democracia Corintiana. Jogadores politizados, que na década de 80, tomavam decisões importantes que eram decididas pelo voto. Movimento que era um contexto inverso com a atual situação do cenário Político brasileiro que assista a decadência do Regime Militar.

Mas foi na década de 90 e anos 2000 que os torcedores do Timão puderam soltar o grito de campeão dos títulos mais importantes: Nos anos 1990, foram três títulos do Campeonato Brasileiro (1990, 1998 e 1999), 3 Campeonatos Paulistas (1995, 1997 e 1999), uma Copa do Brasil (1995) e uma Supercopa do Brasil (1991). A maior conquista do clube veio depois que um dos maiores ídolos do Palmeiras, eleito pelos corintianos como maior rival, perdeu uma penalidade máxima. Na final contra o Vasco da Gama no Maracanã, o Corinthians venceu nos pênaltis o Mundial de Clubes, em 2000, o primeiro organizado pela FIFA após Edmundo perder a cobrança. Além do contestado mundial vieram três Campeonatos Paulistas (2001, 2003 e 2009), um Torneio Rio-São Paulo (2002), um Campeonato Brasileiro (2005) e duas Copas do Brasil (2002 e 2009).

Entretanto em 2007, uma mancha na história: a pior fase da história do clube foi marcada com a queda para a série B do Campeonato Brasileiro. A queda acompanhou a saída da Media Sports Investiment (MSI), dos jogadores contratados pela empresa como Tevez, Mascherano, Roger e Gustavo Nery, os "galácticos". Com o time na série B, o clube se reestruturou dentro e fora dos gramados, com a saída do então presidente Alberto Dualib, responsável pela chegada das parcerias, e uma campanha irretocável na competição.

São poucas as linhas que tenho para descrever os 100 anos do Sport Club Corinthians Paulista. Tanto, que até agora não falei de outras figuras importantes como Rivelino, Neto, Marcelinho Carioca, Carlitos Tevez e, atualmente, Ronaldo Fenômeno. Mas são nomes, que assim como de Joaquim Ambrósio, Antonio Pereira, Anselmo Correa e Carlos Silva, fazem parte da vida do corintiano. Para descrever o torcedor do corintians, só mesmo "corintiano". Maloqueiro, sofredor, fiel é muito pouco para definir os membros da segundo maior torcida do país do futebol. Escudos, bandeiras, tatuagens, lágrimas, invasões, glórias, amor e ódio. São 100 anos que devem ser comemorados com todos esses ingredientes que fazem milhões de torcedores orarem pelos quatro quantos do Brasil: "Salve o Corinthians de tradições e glórias mil".

domingo, 29 de agosto de 2010

Internacional: A razão de ser campeão de tudo

Nenhum torcedor Colorado esquece o ano de 2002 quando os gols de Mahicon Librelato (que dias depois morreria em um acidente automobilístico) e Fernando Baiano, de falta, livraram o Internacional do rebaixamento na última rodada do Campeonato Brasileiro contra o Paysandu, em Belém. Os torcedores do Inter mal imaginavam que era o começo de uma das maiores guinadas de um clube que eu pude presenciar.

Depois que Fernando Carvalho assumiu a presidência do time gaúcho muitas coisas mudaram. Mais do que isso: o resultado de seu conhecimento do esporte, habilidade política além de grande conhecimento administrativo são as vitórias conquistadas pelo Inter, hoje, campeão de tudo. Administrativamente organizado com grande contribuição do atual presidente Vitório Piffero, o Inter conseguiu montar equipes por longo prazo e recuperar a confiança ao voltar a vencer os Gre-Nais e títulos importantes. Tamanha é a confiança, que com cerca de 100 mil associados, o Internacional possui o maior número de sócios das Américas e o sexto maior quadro social do mundo.

Dentro de campo, nomes como de Rafael Sóbis, Tinga, Clemer (campeão da Libertadores como titular da camisa 1 e também como preparador de goleiros do Colorado), Guiñazu, D'Alessandro, Renan, Nilmar, Alexandre Pato, Adriano Gabiru, autor do título mundial do Inter sobre o Barcelona em 2006 e até de Fernandão, que disputou a Libertadores pelo São Paulo nessa temporada, são alguns que fizeram do Internacional um dos clubes de melhor desempenho nos últimos anos.

O segundo caneco da Liberatores é o título da confirmação do Internacional. Reconhecimento merecido, já que tudo se deve por um trabalho bem feito. Trabalho que deve servir de exemplo para outros clubes do país e que hoje faz com que o torcedor Colorado diga em alto e bom som: sou campeão de tudo!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

História das Copas: Laranja mecânica encanta o mundo regida por Johan Cruyff

Carrossel Holandês, Futebol Total, Laranja Mecânica. O nome não importa. O que interessa é que a seleção holandesa de futebol da Copa do Mundo de 1974, realizada na Alemanha, foi protagonista de uma daquelas que considero uma das maiores injustiças da história das copas.

A seleção do genial Rinus Michels marcou história pela inteligência tática de um futebol que parecia um bando de crianças correndo atrás da bola em um campo de chão batido. Mas na verdade se tratava de um esquema de jogo muito bem dinamizado e minuciosamente treinado e ensaiado.

A junção dos rivais Ajax, base da seleção holandesa e do Feyenoord deu certo pela seqüência de jogos. De 1970 a 1973 a Holanda jogou 23 vezes com 14 vitórias, 6 empates e 4 derrotas. Foram 61 gols marcados e 15 sofridos. Nessa época as duas equipes holandesas colecionavam títulos na Europa: o Feyenoord ganhou o Campeonato Mundial Interclubes e a Copa Européia dos Clubes Campeões em 1970 e o Ajax ganhou o Mundial Interclubes em 1974, e a Copa Européia dos Clubes Campeões em 1971, 1972 e 1973. Uma união que não poderia dar errado.

É claro que não podemos esquecer dos jogadores que Rinus Michels tinha em mãos colocando a Holanda entre as maiores seleções do mundo. Suurbier, o melhor lateral-direito da Europa na época, Van Hanegen e Neeskens, especialistas no trabalho de ligação entre a defesa e ataque, Rep e Resenbrink, pontas incansáveis e na regência aquele, que na minha opinião, foi o maior jogador depois de Pelé: Johan Cruyff.

Cruyff foi o primeiro jogador que chamamos de polivalente, até por ser o maestro da seleção em que os jogadores só tinham posição durante a escalação. Marcava o adversário, tirava a bola deles, iniciava e acelerava jogadas, deixando os adversários para trás, achava espaços onde a física não permitia, chutava impecavelmente de longe, driblava fácil, cabeceava bem e foi artilheiro. Você deve estar se perguntando: então ele não tinha defeitos? Sim, caro leitor, ele tinha: não sabia jogar como goleiro.

Os apelidos surgiram por que a seleção holandesa jogava passando a bola de pé em pé com jogares sem posição fixa e com uma capacidade coletiva invejável e eficiente. Azar do Brasil, que em 1974 era atual campeão mundial e teve a Laranja Mecânica pela frente. Na época, o técnico Zagallo chegou a declarar que faria um suco com a “imensa laranja”. Em seu livro “Futebol Total” sobre a competição daquele ano, Cruyff relatou que “depois de meia hora de dificuldades sacudindo o complexo de estar à frente dos invencíveis, perdemos todo o respeito por eles e pelo que sem dúvida são e significam na história do futebol”. Resultado: 2 a 0 Holanda gols de Neeskens e Cruyff.

A grande injustiça veio na final, quando o Carrossel Holandês foi derrotado pelo não menos eficiente futebol alemão. Além de contar com a força da torcida, a Alemanha contava com grandes jogadores. Dentre eles, três se destacam: o goleiro Sepp Maier, o melhor na época, o segundo maior artilheiro da história das Copas, o centroavante Gerd Müller, e o capitão “Kaiser” Franz Beckenbauer, de futebol elegante e eficiente. Os alemães venceram por 2 a 1 e garantiram uma grande injustiça. Uma equipe com toque refinado, esquema revolucionário que demonstrava prazer de jogar futebol foi derrotado na final. Entretanto, sem dúvida nenhuma, se os alemães tivessem perdido aquela copa também estaríamos falando: que grande injustiça!

terça-feira, 18 de maio de 2010

História das Copas: Dinamáquina encanta o mundo em apenas quatro jogos

Em 1986 além do surgimento de mais um gênio do futebol, torcedores de todo mundo se renderam a uma máquina. Foram apenas quatro partidas na Copa do Mundo no México, mas a Dinamarca de Michael Laudrup, que Johan Cruyff, então técnico do dinamarquês, chegou a dizer que seria o rei da Europa na década de 90, encantou o planeta.

A Dinamarca começou a dar sinais de que poderia se sair bem na Copa em 1986, na Eurocopa de dois anos antes. A seleção fez uma boa campanha, com direito à goleada na segunda partida da primeira fase: 5 a 0 na Iugoslávia. Entretanto, perdeu na semi-final para a seleção da Espanha. Após empate no tempo normal, 5 a 4 para Espanha nas penalidades, que seria derrotada para a França na final.

Ainda desconhecida no futebol mundial, na segunda partida da primeira fase do grupo E a Dinamarca aplicou 6 a 1 no Uruguai. A partir do dia 8 de junho daquele ano a Dinamáquina entregava seu cartão de visita. Além de Laudrup, Elkjaer foi outro destaque, sendo considerado hoje um dos maiores atacantes da história da Dinamarca.

A euforia dos dinamarqueses caiu logo nas oitavas-de-final, mais uma vez contra a Espanha. Da mesma forma que o mundo ficou impressionado com o poderio bélico dos Nórdicos na primeira fase não conseguiu encontrar explicações para a vitória avassaladora da Fúria por 5 a 1 que desclassificou a Dinamáquina.

Apesar da derrota, a verdade é que a Dinamarca levou esse apelido por muitos anos e fez jus a ele na década de 90. E mesmo sem nenhum título mundial, os Nórdicos encantaram o mundo em 1986 e faz parte, com méritos, das grandes histórias das Copas.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Seleção Brasileira: Convocação de Dunga tem alguns questionamentos e unanimidades

Mesmo depois de praticamente uma semana depois da convocação da seleção brasileira, eu acredito que ainda posso opinar sobre os nossos 23 representantes na competição mais importante entre seleções, a Copa do Mundo. Foi uma semana tentando digerir a escolha que o nosso teimoso, e até então eficiente, Dunga.

Alguns jogadores são unânimes, como o goleiro Júlio César, Luis Fabiano, Lúcio, Daniel Alves e até Maicon, que passa por uma ótima fase na Inter. Surpresa mesmo, e grata surpresa, foi a presença do zagueiro Thiago Silva, um dos poucos que se salvaram no naufrágio milanês.

O que me preocupa nessa convocação é justamente 7 dos 8 jogadores convocados para o meio campo da seleção canarinho ser volantes de origem. Apenas o Kaká joga avançado. Daí vem a pergunta que todo brasileiro tem feito nos últimos dias: E se o Kaká não tiver condições de jogo, quem entra?

A melhor resposta que recebi para essa pergunta foi de Fábio Russo, que me disse a teoria do repórter João Fagiolo, da ESPN Brasil. Em conversa informal , João definiu bem: Kaká vai fazer o papel do Raí na Copa de 1994. Vai ser o galã, único meia do time, que vai para o banco depois de fazer um gol de pênalti no primeiro jogo. Agora, quem vai assumir o papel do Zinho basta escolher: Julio Baptista ou Elano.

Outra contestação foi a convocação de Grafitte. Ok, ele está arrebentando na Alemanha. Mas aqui mesmo no Brasil existem atacantes jogando melhor que ele, por exemplo Diego Tardelli. Convocar o Doni e deixar o Victor do Grêmio de fora é quase uma heresia. Gilberto, além de jogar fora da sua posição há tempos no Cruzeiro, não passa por boa fase.

Mas o grande assunto, claro, foi a não convocação de Neymar e Paulo Henrique Ganso. Concordo com Dunga, pelo menos nesse ponto, que Copa do Mundo não é hora de fazer experiências, ainda mais com dois jogadores que ainda não vestiram a camisa da seleção brasileira profissional. É inviável, para mim, pensar que o camisa 7 do Santos repetiria o feito de Pelé em 1958. Muito menos o convocaria pesando que ele seria o salvador da pátria em equipes cheias de brucutus. O garoto da Vila é novo e tem muito tempo ainda para apresentar futebol em Copas.

Já Paulo Henrique Ganso é um jogador que tem se apresentado mais preparado para a Copa. Tem personalidade, confiança e sabe a cadenciar o jogo no ritmo dele. O que ele precisaria nesse momento era, justamente, disputar uma competição no nível da Copa do Mundo. Não o colocaria como titular no meio, mas ele sentir um clima de Copa, concentração, assim como aconteceu com Ronaldo em 1994 e Kaká em 2002, seria fundamental para carreira dele.

Seleção convocada, agora é esperar que o pragmatismo e futebol sem graça do Dunga continue sendo eficiente. Já que o que importa mesmo para o brasileiro é comemorar o título na final. Oremos!

História das Copas: Mais um capítulo do futebol africano na competição

A Copa do Mundo da África do Sul neste ano acontece para cravar a participação de países africanos em Copas. Esse ano serão seis seleções do continente disputando o maior torneio de seleções, um número recorde. Além da África do Sul, sede do torneio, disputarão Gana, Costa do Marfim, Nigéria, Argélia e a seleção de Camarões, equipe africana que mais participou de Copas do Mundo.

O primeiro país representando a África em uma Copa do Mundo aconteceu em 1974, na Alemanha. Ao vencer o Campeonato Africano de Nações, que naquela época era classificatório para o Mundial, o Zaire (atual República Democrática do Congo) garantiu sua vaga na competição. Pela classificação, todos os jogadores receberam como prêmio do governo do país, casa e automóvel.

Os Leopardos enfrentaram o Brasil no dia 22 de junho daquele ano e perderam por 3 a 0 em jogo válido pela primeira fase da competição. Derrota, aliás, foi característica marcante da equipe africana na Copa. Na primeira partida, o Zaire perdeu por 2 a 0 para a Escócia. Entretanto, a segunda derrota foi a mais acachapante: 9 a 0 para a Iugoslávia que conseguiu o primeiro lugar no grupo graças ao saldo de gols, já que Brasil (classificado em segundo) e Escócia também ficaram com 4 pontos.

Apesar de não ter marcado nem um gol durante a campanha, não ter conseguido marcar pontos, além de o governo ter confiscado dos jogadores os prêmios ganhos pela classificação depois da péssima campanha, os Leopardos abriram espaço no mundial de futebol para equipes como Camarões.

Aliás, os Leões Indomáveis merecem uma atenção a parte. Eles foram a grande surpresa do mundial de 1990. Liderados pelo experiente e decisivo Roger Milla, os camaroneses surpreenderam a Argentina, atual campeã mundial na época, e venceu por 1 a 0 no jogo de abertura da copa com gol de Omam-Biyik. Além dos hermanos, o Camarões venceram a Romênia por 2 a 0 e a Colômbia, por 2 a 1, todos os gols marcados por Milla.

O segundo gol contra os colombianos, inclusive, marcou história. O camaronês roubou a bola do folclórico René Higuita, que havia dominado a bola na intermediária de defesa e marcou o tento que garantiu a vitória. A odisséia dos Leões Indomáveis acabou na derrota por 3 a 2 para Inglaterra pelas quartas-de-final, em um jogo sensacional com viradas dos dois lados.

Depois disso, a seleção camaronesa não foi mais a mesma. Em 1994, quando fez parte do grupo do Brasil, o craque Roger Milla, com 42 anos, foi o jogador mais velho a marcar um gol em um jogo de Copa de Mundo. O gol de honra, na goleada sofrida por 6 a 1 diante da Rússia.

Em 1998, a seleção mandou mal novamente e foi lanterna do grupo A, liderados pela Itália e Chile, respectivamente. No mesmo grupo, a Áustria, que voltada a disputar uma Copa do Mundo após oito anos, também não obteve sucesso e foi eliminada. Esse ano uma grande expectativa para a atuação dos Leões que tem como principal jogador o atacante Samuel Eto’o, jogador da Inter de Milão, que com 29 anos pode participar de sua última Copa do Mundo. Além dele, Pierre Webó, do Mallorca, Geremi, do Newcastle, Lauren, do Portsmouth e o capitão Song Bahang são outros destaques podem transforma os Camarões novamente em Leões Indomáveis.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Dia do Goleiro: Pelo menos um dia eles tem que comemorar

A velha máxima do futebol já diz tudo: “Onde o goleiro pisa não nasce grama”. Quase que uma reza, uma maldição dessa posição que tanto sofre pela ingratidão dos boleiros. Nada mais justo que eles tenham, pelo menos, um dia para ser lembrado. E hoje, dia 26 de abril é o momento de parabenizá-los. Esqueça o frango em uma partida importante, uma reposição mal feita que gerou um contra ataque e o gol adversário ou aquela barreira que serviu de referência para o cobrador da falta em vez atrapalhar. Dê os parabéns para o goleiro do seu time!

O Dia do Goleiro começou a ser comemorado em 1975, idéia do tenente Raul Carlesso e do capitão Reginaldo Pontes Bielinski professores da Escola de Educação Física do Exército do Rio de Janeiro. A partir de 1976, definiu-se como o dia “oficial” a data de 26 de abril, em uma homenagem ao goleiro Manga, que na época era campeão brasileiro pelo Internacional.

Pior do que ser o goleiro de uma equipe profissional é ter a responsabilidade nas costas de ser o maldito nas famosas “peladas”. Certa vez ouvi um relato (não me recordo de quem) glorificando a atitude santa e digna de aplausos do peladeiro que se dispõe a ser goleiro. Isso porque é o momento de glória daquele que um dia sonhou em ser um grande craque, mas as circunstâncias técnicas e do destino não permitiram.

É o drible descompromissado, o gol de letra, o chapéu no amigo perna-de-pau, a cabeçada certeira mesmo que sem querer... e mesmo assim, alguns abdicam desse prazer que só quem joga futebol sabe para ser o goleiro. E mesmo assim, esse santo que colabora com o espetáculo dos campos de várzea é execrado quando toma um frango, quando ele deveria receber um prêmio por preferir ralar o cotovelo sem ganhar nada.

Mão de pau, frangueiro, luva de quiabo, braço curto, mão de couve. Apelidos não faltam para definir o pobre camisa 1. A verdade é que sempre defendi essa raça e hoje devemos dar parabéns e agradecer a goleiros como Lev Yashin, Gordon Banks, Andrada, Barbosa, Raul, João Leite, Preud'homme, Cassilas, Zubizarreta, Júlio Cesar, Marcos entre outros que contribuíram para que os amaldiçoados pudessem rambé ser chamados de muralha. Abaixo uma singela homenagem.

História das Copas: La Mano de Dios cicatriza orgulho ferido dos argentinos

Em 1982, o governo ditatorial da Argentina considerava questão de credibilidade tomar posse das Ilhas Malvinas, arquipélagos que foram tomados em 1833 e dominados desde então pelo Reino Unido. A Guerra das Malvinas entre Inglaterra e Argentina deixou como saldo mais de 600 soldados argentinos mortos. Além disso, um golpe moral e orgulho do país país ferido.

Quatro anos depois, por capricho do esporte, os dois países se encontraram em outra batalha, mas no Estádio Azteca, na Cidade do México. O tempero geopolítico fez com que antes daquela partida, válida pelas quartas-de-final da Copa do Mundo, torcedores das duas seleções brigassem fora do estádio. Mas o que realmente chamaria atenção naquele dia 22 de junho seria a atuação do camisa 10 argentino.

Maradona chamava o jogo, iniciava as jogadas, voltava na intermediária de defesa e tentava desvencilhar da forte marcação inglesa. Mas o argentino fez muito mais que isso: marcou história. Para os hermanos valia qualquer coisa para vencer aquela partida. Até mesmo com um gol de mão. La Mano de Dios abriu o placar para a seleção argentina aos seis minutos do segundo tempo.

Quatro minutos depois o gol indescritível, em que Maradona, após pegar uma bola na intermediária defensiva, dribla toda defesa inglesa e marca o gol, que seria considerado pela FIFA anos depois, como o mais bonito e mais famoso da história das Copas. Lineker diminiu no final para os ingleses, mas ficou nisso. Argentina classificada para enfrentar a Bélgica nas semi-finais e uma das mais importantes vitórias hermanas na história das Copas.

O zagueiro Roberto Perfumo, ex-jogador do Cruzeiro, considerado um dos maiores zagueiros da Argentina e que disputou como titular as Copas de 1966 e 1974, chegou a dizer na época que o triunfo sobre os ingleses foi mais importante que o segundo título mundial argentino que seria conquistado naquele ano. Para nossos vizinhos, a cicatrização de uma ferida moral e a reverência eterna para um dos maiores jogadores que o mundo já viu jogar: Diego Armando Maradona.

La Mano de Dios



Segundo gol Argentino