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terça-feira, 16 de agosto de 2011

Seleção Brasileira: A Camisa é minha


Senti-me surrupiado quando me deparei com a capa do caderno de Esportes da Folha de S. Paulo do dia 7 de agosto de 2011. Quando vi a nossa camisa amarela, o estandarte do futebol refinado, ser minimizada como propriedade da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pensei no quanto o responsável pela ideia da camisa amarelinha revirou no caixão. Acho que nem ele pensou ser dono da indumentária de futebol mais famosa do globo.

Mineiro que sou, ébrio pelo orgulho de ter nascido e criado no interior, peço licença para contar um causo, nobre torcedor. Não vou me estender em relembrar que em 1950, o recém-nascido Maracanã foi o palco de um dos atos mais trágicos da história do futebol brasileiro, quiçá, mundial.

Ver a favorita escrete nacional se render ao futebol uruguaio em plena terra brasilis é uma tragédia que nem os gregos no auge da inspiração poderiam imaginar. Pois bem, depois do Maracanazzo (não existe uma tragédia que transcende épocas, eras e temporadas sem um bom nome), passou-se a considerar que o uniforme, além de não representar o Brasil, estava trazendo azar.

Supersticioso que só, o brasileiro sugeriu a mudança, inclusive, no uniforme. Qual seria o substituto das camisas e calções brancos de nossa roupagem? Diante de tal questionamento, Confederação Brasileira de Desportos (CBD) e o jornal O Correio da Manhã sugeriram que torcedores mandassem sugestões das cores para o uniforme nacional.

O vencedor foi Aldyer Schlee gaúcho (mas torcedor do Uruguai) que exaltou o amarelo já que a exigência do concurso era o uso das cores da bandeira em nossa nova farda: Amarelo na camisa com detalhes verdes, calções azuis e meias brancas. Como prêmio, dinheiro, dias e viagens juntamente com a seleção canarinho. Detalhes a mais e importantes são aquelas estrelinhas que resumem a apoteose que veio depois que a amarelinha passou a desfilar pelos gramados.

Eis que leio na Folha que a CBF (CBD, Confederação Brasileira de Desportos na época em que a camisa nasceu) se tornou dona da amarelinha. Processo na Coca-cola e em quem mais se atrever a fazer alusão à camisa da CBF em propagandas que remetem à Copa de 2014 ou na arte do nosso futebol.

Até mesmo a empresa japonesa responsável pelo “Pró Evolution Soccer”, a Konami, colocou a seleção brasileira com uniformes verde e branco no novo jogo, temerosa à fúria incontrolável da toda poderosa dona do futebol no Brasil. Isso por que a justiça carioca condenou a Coca-cola a indenizar a CBF por usar em uma propaganda ex-jogadores da seleção com uma camisa amarela.

Cada dia que passa a Confederação do Dr. Ricardo é protagonista de causos que deterioram a paixão do brasileiro pelo futebol. A camisa amarela representa um povo que tem no sangue a arte de praticar o esporte. Do povo que se afogava nas ondas do rádio que, em 1958, propagou o primeiro passo da vitoriosa caminhada do futebol nacional.

É do povo haitiano que sofre até mesmo com a natureza e que em um dia viu a paz se instalar. A paz levada pelos jogadores brasileiros que usaram o poder do manto canarinho para ser o pelotão de frente no bombardeio de alegria, sorrisos e tranquilidade, mesmo que por um dia. A camisa é minha, é sua, é de quem vibra, torce, mesmo que cante o hino com mão no peito, numa falsa sensação de nacionalismo. Pelo menos, essa mão no peito esconde a vergonha de ter em uma camisa tão vitoriosa com um brasão que insiste em se tornar inglório. Que brilhem apenas nossas estrelas no peito. Afinal, somos respeitados por conta delas.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Seleção Brasileira: O peso da amarelinha


Durante toda semana surgiram explicações, teorias, conspirações e fórmulas matemáticas para tentar explicar o motivo das cobranças de pênalti espaciais da seleção brasileira nas quartas-de-final da Copa América contra o Paraguai. Confesso que já vi as imagens dos lançamentos ao espaço e, até agora não vi, nada diferente da incompetência.

Os próprios jogadores da escrete canarinho se contradizem. Enquanto alguns deles teimam em colocar a culpa no judiado gramado – gramado?! – do estádio Ciudad La Plata, o zagueiro Thiago Silva assumiu que bateu mal a penalidade. O arqueiro Júlio Cesar, inspirado no remake de O Astro disse no início da preparação para a competição: “Se formos para os pênaltis nessa Copa América, nós estamos...” (As reticências você troca pelo que quiser).

Não precisa ser o protagonista da regravação ou ter bola de cristal para saber que a tragédia já estava anunciada. Bastava ver um treinamento da seleção nos primeiros dias de preparação na Argentina para saber que aquele equipamento de couro nos pés dos brasileiros seria, assim que houvesse disputa por penais, transformado em um Objeto Voador não Identificado. E foi o que o goleiro percebeu.

Acho cedo para crucificar alguém pelo desastre que aconteceu nessa Copa América. Mas o sinal de alerta está ligado para o técnico Mano Menezes. Um ano no comando do Brasil e nenhuma vitória sobre seleções tradicionais. Pior que isso, é perceber que a renovação proposta pela CBF e cobrada por torcedores e mídia não tem apresentado evolução tática – palavra da moda entre corneteiros e especialistas.

A receita? Difícil falar. Fácil é perceber que a cada dia a camisa amarela tem representado mais pompa do que futebol. Mais fama do que o velho clichê do “coração na ponta da chuteira”. É importante que nossos representantes nos gramados olhem para trás e respeite aqueles que contribuíram para que o futebol brasileiro ostente hoje as cinco estrelas que estão bordadas no peito. Quem sabe dessa forma, muitos deles vão poder entender o motivo da amarelinha pesar tanto.

Em tempo: Paraguai e Uruguai fazem a final da Copa América. Porem, parabéns à Venezuela que meteu duas bolas na trave paraguaia por duas vezes, pressionou e acertou quatro pênaltis. Interessante a evolução venezuelana. Lamentável a pancadaria no final. E pênalti é competência. Que diga o Paraguai.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Ronaldo: Eu vi um Fenômeno!

Ainda muito menino eu pude ver o surgimento do “menino Ronaldo” como esbravejava o saudoso narrador Fernando Sasso. Logo de cara, com 16 anos, já aparecia como o destaque da equipe celeste. Artilheiro do Campeonato Mineiro com 22 gols e com 44 gols em 46 partidas, logo se transferiu para Europa por 6 milhões de dólares.

O PSV Eidhoven foi só o começo da história do jogador mais brilhante que pude ver atuar dentro e fora das quatro linhas. No gramado é um dos poucos que conseguiu reverências dos torcedores do Real Madrid e Barcelona e tem o respeito de Inter de Milão e Milan.

Fora de campo, foi uma das estrelas que fez o Haiti viver momentos de trégua durante guerra civil que acontecia no país vestindo a camisa da seleção brasileira. Camisa que, aliás, parecia ser a segunda pele do camisa 9.

Campeão mundial duas vezes, uma delas como o astro da seleção canarinho em uma época em que todos colocavam Ronaldo na lista dos aposentados. Mas, no fim, garantiu o último título da seleção em copas. Em 2006, em uma seleção que fracassou depois de ser considerada favorito, El Fenômeno (apelido que ganhou na época de Barcelona) foi o único que saiu vitoriso com o título de maior artilheiro da história das Copas.

Dentro glórias e polêmicas, ficaria três dias falando de Ronaldo Luiz Nazário de Lima, o “menino Ronaldo” que em pouco tempo se tornou o Fenômeno. Infeliz do goleiro Tatarusanu, que teve duas chances de entrar para história como o último goleiro a tomar um gol de Ronaldo (Como fez Diamantino Tomé Figueiredo que tomou o primeiro de centenas).

Mas há pouco vi um dos jogadores que deixaram o maior legado para o futebol brasileiro. PInturas por Barcelona, Real, Inter de Milão Cruzeiro e Seleção Brasileira contribuiram para um rico aprendizado na escola do futebol. Somado à simplicidade de alguém que veio do nada, formam esse que sempre vai ser um atleta genial. Aliás, fenômenos são raros. E vou poder para filhos e netos que vi um dos maiores da história.