sexta-feira, 21 de maio de 2010

História das Copas: Laranja mecânica encanta o mundo regida por Johan Cruyff

Carrossel Holandês, Futebol Total, Laranja Mecânica. O nome não importa. O que interessa é que a seleção holandesa de futebol da Copa do Mundo de 1974, realizada na Alemanha, foi protagonista de uma daquelas que considero uma das maiores injustiças da história das copas.

A seleção do genial Rinus Michels marcou história pela inteligência tática de um futebol que parecia um bando de crianças correndo atrás da bola em um campo de chão batido. Mas na verdade se tratava de um esquema de jogo muito bem dinamizado e minuciosamente treinado e ensaiado.

A junção dos rivais Ajax, base da seleção holandesa e do Feyenoord deu certo pela seqüência de jogos. De 1970 a 1973 a Holanda jogou 23 vezes com 14 vitórias, 6 empates e 4 derrotas. Foram 61 gols marcados e 15 sofridos. Nessa época as duas equipes holandesas colecionavam títulos na Europa: o Feyenoord ganhou o Campeonato Mundial Interclubes e a Copa Européia dos Clubes Campeões em 1970 e o Ajax ganhou o Mundial Interclubes em 1974, e a Copa Européia dos Clubes Campeões em 1971, 1972 e 1973. Uma união que não poderia dar errado.

É claro que não podemos esquecer dos jogadores que Rinus Michels tinha em mãos colocando a Holanda entre as maiores seleções do mundo. Suurbier, o melhor lateral-direito da Europa na época, Van Hanegen e Neeskens, especialistas no trabalho de ligação entre a defesa e ataque, Rep e Resenbrink, pontas incansáveis e na regência aquele, que na minha opinião, foi o maior jogador depois de Pelé: Johan Cruyff.

Cruyff foi o primeiro jogador que chamamos de polivalente, até por ser o maestro da seleção em que os jogadores só tinham posição durante a escalação. Marcava o adversário, tirava a bola deles, iniciava e acelerava jogadas, deixando os adversários para trás, achava espaços onde a física não permitia, chutava impecavelmente de longe, driblava fácil, cabeceava bem e foi artilheiro. Você deve estar se perguntando: então ele não tinha defeitos? Sim, caro leitor, ele tinha: não sabia jogar como goleiro.

Os apelidos surgiram por que a seleção holandesa jogava passando a bola de pé em pé com jogares sem posição fixa e com uma capacidade coletiva invejável e eficiente. Azar do Brasil, que em 1974 era atual campeão mundial e teve a Laranja Mecânica pela frente. Na época, o técnico Zagallo chegou a declarar que faria um suco com a “imensa laranja”. Em seu livro “Futebol Total” sobre a competição daquele ano, Cruyff relatou que “depois de meia hora de dificuldades sacudindo o complexo de estar à frente dos invencíveis, perdemos todo o respeito por eles e pelo que sem dúvida são e significam na história do futebol”. Resultado: 2 a 0 Holanda gols de Neeskens e Cruyff.

A grande injustiça veio na final, quando o Carrossel Holandês foi derrotado pelo não menos eficiente futebol alemão. Além de contar com a força da torcida, a Alemanha contava com grandes jogadores. Dentre eles, três se destacam: o goleiro Sepp Maier, o melhor na época, o segundo maior artilheiro da história das Copas, o centroavante Gerd Müller, e o capitão “Kaiser” Franz Beckenbauer, de futebol elegante e eficiente. Os alemães venceram por 2 a 1 e garantiram uma grande injustiça. Uma equipe com toque refinado, esquema revolucionário que demonstrava prazer de jogar futebol foi derrotado na final. Entretanto, sem dúvida nenhuma, se os alemães tivessem perdido aquela copa também estaríamos falando: que grande injustiça!

terça-feira, 18 de maio de 2010

História das Copas: Dinamáquina encanta o mundo em apenas quatro jogos

Em 1986 além do surgimento de mais um gênio do futebol, torcedores de todo mundo se renderam a uma máquina. Foram apenas quatro partidas na Copa do Mundo no México, mas a Dinamarca de Michael Laudrup, que Johan Cruyff, então técnico do dinamarquês, chegou a dizer que seria o rei da Europa na década de 90, encantou o planeta.

A Dinamarca começou a dar sinais de que poderia se sair bem na Copa em 1986, na Eurocopa de dois anos antes. A seleção fez uma boa campanha, com direito à goleada na segunda partida da primeira fase: 5 a 0 na Iugoslávia. Entretanto, perdeu na semi-final para a seleção da Espanha. Após empate no tempo normal, 5 a 4 para Espanha nas penalidades, que seria derrotada para a França na final.

Ainda desconhecida no futebol mundial, na segunda partida da primeira fase do grupo E a Dinamarca aplicou 6 a 1 no Uruguai. A partir do dia 8 de junho daquele ano a Dinamáquina entregava seu cartão de visita. Além de Laudrup, Elkjaer foi outro destaque, sendo considerado hoje um dos maiores atacantes da história da Dinamarca.

A euforia dos dinamarqueses caiu logo nas oitavas-de-final, mais uma vez contra a Espanha. Da mesma forma que o mundo ficou impressionado com o poderio bélico dos Nórdicos na primeira fase não conseguiu encontrar explicações para a vitória avassaladora da Fúria por 5 a 1 que desclassificou a Dinamáquina.

Apesar da derrota, a verdade é que a Dinamarca levou esse apelido por muitos anos e fez jus a ele na década de 90. E mesmo sem nenhum título mundial, os Nórdicos encantaram o mundo em 1986 e faz parte, com méritos, das grandes histórias das Copas.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Seleção Brasileira: Convocação de Dunga tem alguns questionamentos e unanimidades

Mesmo depois de praticamente uma semana depois da convocação da seleção brasileira, eu acredito que ainda posso opinar sobre os nossos 23 representantes na competição mais importante entre seleções, a Copa do Mundo. Foi uma semana tentando digerir a escolha que o nosso teimoso, e até então eficiente, Dunga.

Alguns jogadores são unânimes, como o goleiro Júlio César, Luis Fabiano, Lúcio, Daniel Alves e até Maicon, que passa por uma ótima fase na Inter. Surpresa mesmo, e grata surpresa, foi a presença do zagueiro Thiago Silva, um dos poucos que se salvaram no naufrágio milanês.

O que me preocupa nessa convocação é justamente 7 dos 8 jogadores convocados para o meio campo da seleção canarinho ser volantes de origem. Apenas o Kaká joga avançado. Daí vem a pergunta que todo brasileiro tem feito nos últimos dias: E se o Kaká não tiver condições de jogo, quem entra?

A melhor resposta que recebi para essa pergunta foi de Fábio Russo, que me disse a teoria do repórter João Fagiolo, da ESPN Brasil. Em conversa informal , João definiu bem: Kaká vai fazer o papel do Raí na Copa de 1994. Vai ser o galã, único meia do time, que vai para o banco depois de fazer um gol de pênalti no primeiro jogo. Agora, quem vai assumir o papel do Zinho basta escolher: Julio Baptista ou Elano.

Outra contestação foi a convocação de Grafitte. Ok, ele está arrebentando na Alemanha. Mas aqui mesmo no Brasil existem atacantes jogando melhor que ele, por exemplo Diego Tardelli. Convocar o Doni e deixar o Victor do Grêmio de fora é quase uma heresia. Gilberto, além de jogar fora da sua posição há tempos no Cruzeiro, não passa por boa fase.

Mas o grande assunto, claro, foi a não convocação de Neymar e Paulo Henrique Ganso. Concordo com Dunga, pelo menos nesse ponto, que Copa do Mundo não é hora de fazer experiências, ainda mais com dois jogadores que ainda não vestiram a camisa da seleção brasileira profissional. É inviável, para mim, pensar que o camisa 7 do Santos repetiria o feito de Pelé em 1958. Muito menos o convocaria pesando que ele seria o salvador da pátria em equipes cheias de brucutus. O garoto da Vila é novo e tem muito tempo ainda para apresentar futebol em Copas.

Já Paulo Henrique Ganso é um jogador que tem se apresentado mais preparado para a Copa. Tem personalidade, confiança e sabe a cadenciar o jogo no ritmo dele. O que ele precisaria nesse momento era, justamente, disputar uma competição no nível da Copa do Mundo. Não o colocaria como titular no meio, mas ele sentir um clima de Copa, concentração, assim como aconteceu com Ronaldo em 1994 e Kaká em 2002, seria fundamental para carreira dele.

Seleção convocada, agora é esperar que o pragmatismo e futebol sem graça do Dunga continue sendo eficiente. Já que o que importa mesmo para o brasileiro é comemorar o título na final. Oremos!

História das Copas: Mais um capítulo do futebol africano na competição

A Copa do Mundo da África do Sul neste ano acontece para cravar a participação de países africanos em Copas. Esse ano serão seis seleções do continente disputando o maior torneio de seleções, um número recorde. Além da África do Sul, sede do torneio, disputarão Gana, Costa do Marfim, Nigéria, Argélia e a seleção de Camarões, equipe africana que mais participou de Copas do Mundo.

O primeiro país representando a África em uma Copa do Mundo aconteceu em 1974, na Alemanha. Ao vencer o Campeonato Africano de Nações, que naquela época era classificatório para o Mundial, o Zaire (atual República Democrática do Congo) garantiu sua vaga na competição. Pela classificação, todos os jogadores receberam como prêmio do governo do país, casa e automóvel.

Os Leopardos enfrentaram o Brasil no dia 22 de junho daquele ano e perderam por 3 a 0 em jogo válido pela primeira fase da competição. Derrota, aliás, foi característica marcante da equipe africana na Copa. Na primeira partida, o Zaire perdeu por 2 a 0 para a Escócia. Entretanto, a segunda derrota foi a mais acachapante: 9 a 0 para a Iugoslávia que conseguiu o primeiro lugar no grupo graças ao saldo de gols, já que Brasil (classificado em segundo) e Escócia também ficaram com 4 pontos.

Apesar de não ter marcado nem um gol durante a campanha, não ter conseguido marcar pontos, além de o governo ter confiscado dos jogadores os prêmios ganhos pela classificação depois da péssima campanha, os Leopardos abriram espaço no mundial de futebol para equipes como Camarões.

Aliás, os Leões Indomáveis merecem uma atenção a parte. Eles foram a grande surpresa do mundial de 1990. Liderados pelo experiente e decisivo Roger Milla, os camaroneses surpreenderam a Argentina, atual campeã mundial na época, e venceu por 1 a 0 no jogo de abertura da copa com gol de Omam-Biyik. Além dos hermanos, o Camarões venceram a Romênia por 2 a 0 e a Colômbia, por 2 a 1, todos os gols marcados por Milla.

O segundo gol contra os colombianos, inclusive, marcou história. O camaronês roubou a bola do folclórico René Higuita, que havia dominado a bola na intermediária de defesa e marcou o tento que garantiu a vitória. A odisséia dos Leões Indomáveis acabou na derrota por 3 a 2 para Inglaterra pelas quartas-de-final, em um jogo sensacional com viradas dos dois lados.

Depois disso, a seleção camaronesa não foi mais a mesma. Em 1994, quando fez parte do grupo do Brasil, o craque Roger Milla, com 42 anos, foi o jogador mais velho a marcar um gol em um jogo de Copa de Mundo. O gol de honra, na goleada sofrida por 6 a 1 diante da Rússia.

Em 1998, a seleção mandou mal novamente e foi lanterna do grupo A, liderados pela Itália e Chile, respectivamente. No mesmo grupo, a Áustria, que voltada a disputar uma Copa do Mundo após oito anos, também não obteve sucesso e foi eliminada. Esse ano uma grande expectativa para a atuação dos Leões que tem como principal jogador o atacante Samuel Eto’o, jogador da Inter de Milão, que com 29 anos pode participar de sua última Copa do Mundo. Além dele, Pierre Webó, do Mallorca, Geremi, do Newcastle, Lauren, do Portsmouth e o capitão Song Bahang são outros destaques podem transforma os Camarões novamente em Leões Indomáveis.