domingo, 4 de setembro de 2011

Seleção Brasileira: Não cabe na balança


Não sou o único torcedor, frente às estripulias da senhora CBF, que se prende ao passado glorioso do futebol nacional para tentar respirar nesse sufocado futebol moderno.

Dentre essas lembranças que remetem ao passado, lembrei-me da vez em que visitei a residência do grande Djalma Santos, lateral-direito bicampeão mundial pela seleção brazuca e, eleito pela Fifa, o maior da posição de todos os tempos.

Ouvi atentamente relatos dos tempos difíceis em São Paulo, da lesão na mão de Djalma que no futuro viraria arma na cobrança de laterais somada à força do atleta, histórias da Copa de 1958 na Suécia, de onde recebe inúmeras correspondências mesmo 53 anos depois de desfilar nos gramados de lá com o escrete canarinho. A réplica da Copa do Mundo recebida em durante a Copa de 2006 na premiação do melhor de todos os tempos também estava lá, merecidamente na estante de Djalma.

Atento como um aluno exemplar, ouvia as respostas do professor Djalma sobre cada troféu em sua estante, cada pôster da Associação Portuguesa de Desportos e do Palmeiras, carinhosa e merecidamente chamado de Academia de Futebol na era em que Djalma Santos atuava na equipe composta ainda por Ademir da Guia, Djalma Dias e Emerson Leão.

Contudo, de todos as relíquias faltava uma: a camisa azul da final da Copa do Mundo de 58, na Suécia contra a seleção anfitriã. Não era mero fanatismo de torcedor colecionador. Era para sentir o peso da história do esporte bretão que conquistou seus primeiros quilinhos com a farda azul.

Perdido o direito de disputar a final com a camisa canarinho (A Suécia também usava farda amarela), a camiseta azul comprada no comércio sueco foi a escolhida para vestir os craques brasileiros na final. Apresentada depois de uma madrugada inteira recortando e bordando números em amarelo e costurando o símbolo da CBD foi alvo de preconceito.

Como disputar uma final com a camisa azul, sendo que em todos os outros jogos saíram vitoriosos com a farda amarela? Usando do apelo católico foi a comparação com o manto de Nossa Senhora que fez com que os jogadores entrassem em campo, sendo que o resultado, nem preciso relembrar.

Minutos depois, apareceria Djalma com ela em mãos. O peso natural, não representa nem de longe o que ela significa para o futebol tupiniquim. Lembro-me bem do número 4 bordado em amarelo com linhas brancas e grossas. O símbolo da CBD, irretocável, também bordado com as improvisadas linhas brancas.

A sensação, infelizmente, impossível descrever. Não é só o primeiro título mundial do Brasil, mas a representação de uma época em que jogar futebol era mais do que dígitos bancários e aparições em publicidade. É mais do que se dizer dono de tudo e de todos ou mandar e desmandar naquilo que é público. É muito mais que uma camisa azul com bordado improvisado. Pena que essa não veio para minha coleção.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Seleção Brasileira: A Camisa é minha


Senti-me surrupiado quando me deparei com a capa do caderno de Esportes da Folha de S. Paulo do dia 7 de agosto de 2011. Quando vi a nossa camisa amarela, o estandarte do futebol refinado, ser minimizada como propriedade da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pensei no quanto o responsável pela ideia da camisa amarelinha revirou no caixão. Acho que nem ele pensou ser dono da indumentária de futebol mais famosa do globo.

Mineiro que sou, ébrio pelo orgulho de ter nascido e criado no interior, peço licença para contar um causo, nobre torcedor. Não vou me estender em relembrar que em 1950, o recém-nascido Maracanã foi o palco de um dos atos mais trágicos da história do futebol brasileiro, quiçá, mundial.

Ver a favorita escrete nacional se render ao futebol uruguaio em plena terra brasilis é uma tragédia que nem os gregos no auge da inspiração poderiam imaginar. Pois bem, depois do Maracanazzo (não existe uma tragédia que transcende épocas, eras e temporadas sem um bom nome), passou-se a considerar que o uniforme, além de não representar o Brasil, estava trazendo azar.

Supersticioso que só, o brasileiro sugeriu a mudança, inclusive, no uniforme. Qual seria o substituto das camisas e calções brancos de nossa roupagem? Diante de tal questionamento, Confederação Brasileira de Desportos (CBD) e o jornal O Correio da Manhã sugeriram que torcedores mandassem sugestões das cores para o uniforme nacional.

O vencedor foi Aldyer Schlee gaúcho (mas torcedor do Uruguai) que exaltou o amarelo já que a exigência do concurso era o uso das cores da bandeira em nossa nova farda: Amarelo na camisa com detalhes verdes, calções azuis e meias brancas. Como prêmio, dinheiro, dias e viagens juntamente com a seleção canarinho. Detalhes a mais e importantes são aquelas estrelinhas que resumem a apoteose que veio depois que a amarelinha passou a desfilar pelos gramados.

Eis que leio na Folha que a CBF (CBD, Confederação Brasileira de Desportos na época em que a camisa nasceu) se tornou dona da amarelinha. Processo na Coca-cola e em quem mais se atrever a fazer alusão à camisa da CBF em propagandas que remetem à Copa de 2014 ou na arte do nosso futebol.

Até mesmo a empresa japonesa responsável pelo “Pró Evolution Soccer”, a Konami, colocou a seleção brasileira com uniformes verde e branco no novo jogo, temerosa à fúria incontrolável da toda poderosa dona do futebol no Brasil. Isso por que a justiça carioca condenou a Coca-cola a indenizar a CBF por usar em uma propaganda ex-jogadores da seleção com uma camisa amarela.

Cada dia que passa a Confederação do Dr. Ricardo é protagonista de causos que deterioram a paixão do brasileiro pelo futebol. A camisa amarela representa um povo que tem no sangue a arte de praticar o esporte. Do povo que se afogava nas ondas do rádio que, em 1958, propagou o primeiro passo da vitoriosa caminhada do futebol nacional.

É do povo haitiano que sofre até mesmo com a natureza e que em um dia viu a paz se instalar. A paz levada pelos jogadores brasileiros que usaram o poder do manto canarinho para ser o pelotão de frente no bombardeio de alegria, sorrisos e tranquilidade, mesmo que por um dia. A camisa é minha, é sua, é de quem vibra, torce, mesmo que cante o hino com mão no peito, numa falsa sensação de nacionalismo. Pelo menos, essa mão no peito esconde a vergonha de ter em uma camisa tão vitoriosa com um brasão que insiste em se tornar inglório. Que brilhem apenas nossas estrelas no peito. Afinal, somos respeitados por conta delas.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Seleção Brasileira: O peso da amarelinha


Durante toda semana surgiram explicações, teorias, conspirações e fórmulas matemáticas para tentar explicar o motivo das cobranças de pênalti espaciais da seleção brasileira nas quartas-de-final da Copa América contra o Paraguai. Confesso que já vi as imagens dos lançamentos ao espaço e, até agora não vi, nada diferente da incompetência.

Os próprios jogadores da escrete canarinho se contradizem. Enquanto alguns deles teimam em colocar a culpa no judiado gramado – gramado?! – do estádio Ciudad La Plata, o zagueiro Thiago Silva assumiu que bateu mal a penalidade. O arqueiro Júlio Cesar, inspirado no remake de O Astro disse no início da preparação para a competição: “Se formos para os pênaltis nessa Copa América, nós estamos...” (As reticências você troca pelo que quiser).

Não precisa ser o protagonista da regravação ou ter bola de cristal para saber que a tragédia já estava anunciada. Bastava ver um treinamento da seleção nos primeiros dias de preparação na Argentina para saber que aquele equipamento de couro nos pés dos brasileiros seria, assim que houvesse disputa por penais, transformado em um Objeto Voador não Identificado. E foi o que o goleiro percebeu.

Acho cedo para crucificar alguém pelo desastre que aconteceu nessa Copa América. Mas o sinal de alerta está ligado para o técnico Mano Menezes. Um ano no comando do Brasil e nenhuma vitória sobre seleções tradicionais. Pior que isso, é perceber que a renovação proposta pela CBF e cobrada por torcedores e mídia não tem apresentado evolução tática – palavra da moda entre corneteiros e especialistas.

A receita? Difícil falar. Fácil é perceber que a cada dia a camisa amarela tem representado mais pompa do que futebol. Mais fama do que o velho clichê do “coração na ponta da chuteira”. É importante que nossos representantes nos gramados olhem para trás e respeite aqueles que contribuíram para que o futebol brasileiro ostente hoje as cinco estrelas que estão bordadas no peito. Quem sabe dessa forma, muitos deles vão poder entender o motivo da amarelinha pesar tanto.

Em tempo: Paraguai e Uruguai fazem a final da Copa América. Porem, parabéns à Venezuela que meteu duas bolas na trave paraguaia por duas vezes, pressionou e acertou quatro pênaltis. Interessante a evolução venezuelana. Lamentável a pancadaria no final. E pênalti é competência. Que diga o Paraguai.

sábado, 9 de julho de 2011

Copa América: Brasil empata com Paraguai. E o futebol, cadê?

E a odisseia de Mano Meneses no comando da seleção brasileira continua. Mais um jogo marcado pela ineficiência e displicência dos jogadores em quem, os sempre confiantes torcedores da seleção canarinho despejaram tanta esperança. Mais dois gols para contabilizar os míseros cinco tentos em 2011.

A dupla de zaga que tinha tudo para ser intransponível com Lucio e Thiago Silva estava perdida. Mais para o Monstro de Milão – que falhou no primeiro gol paraguaio – e menos para o capitão da escrete nacional. E depois da bateção de cabeça da zaga não tem como julgar o goleiro Júlio Cesar.

Os laterais da seleção de Mano representam bem a ineficiência da seleção brasileira. Mesmo com um meio campo congestionado pelos paraguaios que fixavam duas linhas de quatro quando o Brasil estava com a bola, eles não se apresentavam como opção para furar o bloqueio. Quando apareciam, eram pífios. Daniel Alves, para celebrar o mau futebol entregou o segundo gol.

No meio, Ramires e Lucas Neiva tinham alguns lampejos. E mesmo depois da insistência do ex-jogador do Cruzeiro que culminou no primeiro tento brasileiro, os dois volantes revezavam em fazer bobagem.

Mesmo com o gol, Jadson não pode ser titular. Lucas ou Elano, que pouco fez quando entrou, mas estava no ritmo do samba desafinado da seleção. Ganso é diferente. Não o isentando de culpa, mas foi o dono dos passes para os gols do Brasil. Falta acostumar um pouco mais com a camisa 10 amarelinha para ser o maestro do grupo. Poucos toques na bola e eficiência. Esse é o caminho.

Contudo, a grande estrela, a maior esperança em quem todos depositavam esperança parece que ainda vai demorar a ficar pronto. Fominha, inventando demais, Neymar continua sendo muito aquém ao menino do Santos que desequilibrou na Libertadores. Claro que depois das atuações na competição continental, do marketing sobre o camisa onze e do assédio de um dos maiores clubes do mundo, o que faltam são brucutus na cola dele. Mas errar na cara do gol e inventar moda em momento decisivo... não, não, obrigado!

Alexandre Pato me surpreendeu na primeira partida. Na partida de hoje, o rendimento caiu. Porém, pode ser um jogador importante durante a competição. Fred, mesmo contestado, fez o gol que salvou o Brasil, então, sem falar mal dele hoje.

Contra o Equador, só a vitória interessa diria um poeta dos gramados. E não é só para garantir vaga na próxima fase. É para garantir que os brasileiros não passem a olhar a seleção de Mano – e o próprio comandante – com desconfiança.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

CBF: “Em 2014, posso fazer a maldade que for”

É difícil para o torcedor ou para o simples admirador do futebol ter que se embriagar ao perceber que a principal estrela do esporte betrão tem sido o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Para quem está acostumado a ver o espetáculo dentro das quatro linhas, assistir de camarote uma cena bem no estilo Dante é para, realmente, pendurar as chuteiras.

Prometer suas malvadezas em entrevista à revista "Piauí", digno de matéria na Folha de S.Paulo de hoje, é ter a certeza de que a frase de um colega de imprensa faz todo sentido: futebol está acabando! A frase do título, mais as promessas de não dar credencial, proibir acesso, mudar horário de jogo e taxar a imprensa de “vagabunda” são uma das “malvadezas” do Dr. Ricardo.

No entanto, quando me apaixonei e inevitavelmente passei a amar o futebol ouvia as histórias do meu falecido pai se gabando de ter visto o que ele jurava ser o maior trio de ataque da história: Coutinho, Pelé e Pepe.

Me hipnotizava com os relatos apaixonados sobre aquele dia 21 de dezembro de 1976 em viu Sepp Maier, Beckenbauer e Müller digladiar com a respeitável escrete azul celeste de Jairzinho, Dirceu Lopes, Piazza entre outros que sucumbiram à experiência dos alemães, então, base da seleção campeã mundial da época.

Recentemente com Romário voando na Copa de 94, Ronaldo se superando em 2002, um Barcelona baseado na filosofia eternizada pela Laranja Mecânica de Cruyff em 1974. Qual é a balela, acreditar que o futebol ainda pode ser apaixonante ou abaixar a cabeça para o dono do futebol brasileiro?

Não sou apaixonado a ponto de ser cético às novas tendências mercadológicas assumidas pelo futebol. Mas torcedor é sempre torcedor. É difícil para eles, de uma hora para a outra, assumir a identidade de consumidor.

Porém, vai ser na base do “goela abaixo” que nosso presidente da CBF vai nos convencer de que futebol é consumo. E assim como o “Big Brother” de George Orwell na obra 1984 vai impor suas vontades, pelo menos, até 2014.

Só espero que, no momento da compra dos ingressos da Copa do Mundo, meu nome não seja rejeitado por não concordar com o mandatário. Isso se, até lá, eu ainda tenha alguma paixão por esse futebol. Porque amor quando não é correspondido costuma acabar.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Ronaldo: Eu vi um Fenômeno!

Ainda muito menino eu pude ver o surgimento do “menino Ronaldo” como esbravejava o saudoso narrador Fernando Sasso. Logo de cara, com 16 anos, já aparecia como o destaque da equipe celeste. Artilheiro do Campeonato Mineiro com 22 gols e com 44 gols em 46 partidas, logo se transferiu para Europa por 6 milhões de dólares.

O PSV Eidhoven foi só o começo da história do jogador mais brilhante que pude ver atuar dentro e fora das quatro linhas. No gramado é um dos poucos que conseguiu reverências dos torcedores do Real Madrid e Barcelona e tem o respeito de Inter de Milão e Milan.

Fora de campo, foi uma das estrelas que fez o Haiti viver momentos de trégua durante guerra civil que acontecia no país vestindo a camisa da seleção brasileira. Camisa que, aliás, parecia ser a segunda pele do camisa 9.

Campeão mundial duas vezes, uma delas como o astro da seleção canarinho em uma época em que todos colocavam Ronaldo na lista dos aposentados. Mas, no fim, garantiu o último título da seleção em copas. Em 2006, em uma seleção que fracassou depois de ser considerada favorito, El Fenômeno (apelido que ganhou na época de Barcelona) foi o único que saiu vitoriso com o título de maior artilheiro da história das Copas.

Dentro glórias e polêmicas, ficaria três dias falando de Ronaldo Luiz Nazário de Lima, o “menino Ronaldo” que em pouco tempo se tornou o Fenômeno. Infeliz do goleiro Tatarusanu, que teve duas chances de entrar para história como o último goleiro a tomar um gol de Ronaldo (Como fez Diamantino Tomé Figueiredo que tomou o primeiro de centenas).

Mas há pouco vi um dos jogadores que deixaram o maior legado para o futebol brasileiro. PInturas por Barcelona, Real, Inter de Milão Cruzeiro e Seleção Brasileira contribuiram para um rico aprendizado na escola do futebol. Somado à simplicidade de alguém que veio do nada, formam esse que sempre vai ser um atleta genial. Aliás, fenômenos são raros. E vou poder para filhos e netos que vi um dos maiores da história.

domingo, 5 de junho de 2011

Campeonato Brasileiro: O que acontece com o Cruzeiro?

O Cruzeiro foi apontado – e continua sendo – como um dos favoritos ao título do Campeonato Brasileiro 2011. Não só pela manutenção dos pilares da equipe vice-campeã brasileira do ano passado, mas também pelas apresentações de gala na primeira fase da Libertadores e no Campeonato Mineiro.

Toques envolventes, a criança sempre no chão, valorização de posse de bola, defesa aparentemente intransponível e ataque eficiente era uma das características de um time que fez a torcida ressuscitar o apelido La Bestia Negra, que a equipe celeste ganhou na década de 90 e ser apontado como o franco favorito na competição sul-americana.

Mas uma partida de apatia contra o Once Caldas fez uma campanha brilhante naufragar. E pelo que eu pude perceber, nem o título mineiro de 2011 fez o Cruzeiro se reerguer. A mesma apatia, falta de precisão nos passes, bolas altas em excesso e sem direção se destacaram na partida em que o time mineiro foi derrotado pelo Fluminense, na terceira rodada do Campeonato Brasileiro.

Poderia ser considerado um lampejo se não fosse a terceira partida em que o time sensação das Américas até poucos dias apresentasse um futebol de deixar o torcedor preocupado.

Mas o que acontece com o Cruzeiro? É uma pergunta muito difícil de responder. O que a gente espera é que apenas o torcedor entre na pilha do técnico do Peñarol, Diego Aguirre, que cometeu a heresia de comparar aquilo que o Barcelona faz com qualquer futebol de outra equipe no planeta.